• Thais Bere

A linha tênue entre demonstrar interesse e ser folgado

Faço a gestão do Linkedin de alguns Diretores de empresas e uma das minhas responsabilidades é responder as mensagens que eles recebem.

Confesso que mesmo sendo bastante repetitiva e cansativa, eu gosto bastante desta atividade, porque consigo aprender sobre comportamento humano e sobre como as pessoas estão se comunicando.


No começo de toda parceria eu encaminho basicamente todas as mensagens para o cliente, pra saber o que faz sentido pra empresa - e eu posso encaminhar para o time - ou o que eu posso declinar de cara. Hoje, consigo listar 3 temas ou "discursos/situações" que eu declino sem pensar duas vezes. 


1) Pedidos de emprego 


Neste caso eu não declino, mas compartilho o canal oficial de recrutamento - e só. Consigo contar nos dedos de uma mão quantas vezes eu encaminhei o candidato para o responsável por recrutamento. Explico: 99% das mensagens são pessoas i) perguntando se tem vaga aberta na empresa; ii) pedindo que o Diretor avise caso surja alguma oportunidade com o seu perfil (rs, essa é minha preferida); iii) perguntando como se candidatar à uma vaga.


Posso ser um pouco radical, porém, se a pessoa não tem o mínimo interesse em buscar as respostas para as perguntas acima, qual será o interesse em desenvolver um bom trabalho?


Minha sugestão: achou uma vaga que é a sua cara e quer demonstrar que tem muito interesse em fazer parte do time?! Se candidate pelo canal oficial e reforce seu interesse para os responsáveis pelo recrutamento - é possível encontrar essa informação com uma busca rápida aqui no Linkedin.


Pense que o Diretor de uma empresa recebe, literalmente, centenas de mensagens como essa, todos os dias. Dificilmente ele terá tempo para fazer esse filtro inicial. Não é má vontade, acredite. 



2) Pedidos de mentoria ou conselho 


Este é um tópico muito delicado. Tenho que confessar que antes de trabalhar com Gestão de Linkedin eu achava um absurdo - até mesmo falta de consideração - quando percebia que empresários ou influenciadores não respondiam comentários com pedidos de conselhos.

"Como eles podem não dar atenção a uma pessoa que está interessada em seu conteúdo?", era o meu pensamento.

Com o tempo, percebi que grande parte dessas dúvidas podem ser sanadas com uma busca rápida sobre aquela pessoa. Se você quer entender como o Jeff Bezos fundou a Amazon, de onde ele tirou a ideia e quais desafios ele enfrentou/enfrenta, você não vai mandar uma mensagem pra ele no Linkedin, certo? Você vai estudar sobre o cara, ver entrevistas que ele deu, artigos que escreveu, etc. A mesma lógica serve para os CEOs de empresas menores. Quase todas as respostas já estão disponíveis na internet, basta um pouco de interesse e paciência. 



3) Apresentação de uma super solução tecnológica que levará a empresa para um novo patamar do mercado


Esta é uma das mensagens que os meus clientes mais recebem. São textos enormes, normalmente colados de um pitch padrão. Isso quando não tem um "Olá, LEAD", ou "Olá, Nome errado da pessoa". Nem todas as apresentações são ruins, mas percebo que, na maioria das vezes, quem está prospectando não se deu o mínimo trabalho de estudar sobre o momento atual da empresa, pra ver se, de fato, seu produto/serviço poderá agregar. 

Separei os dois erros que mais tenho notado:


i. Textos muito longos 

Como falei no primeiro tópico, um diretor costuma receber centenas de mensagens todos os dias. Se o seu pitch tem mais de três parágrafos e começa contando a história da sua vida, reveja sua estratégia. Com uma busca rápida no Google é possível achar diversos artigos sobre como escrever um pitch de sucesso. Compartilho o da Endevor e o da PEGN.


ii. Começar com "Acho que você não vai ler esta mensagem, mas..." 


Começou errado. Se você realmente acha que a pessoa não lerá sua mensagem, por que perder tempo enviando? Além disso, esta frase só mostra que seu produto/ serviço não é bom o suficiente para despertar interesse nas pessoas. 


Muitas vezes, na ânsia de sermos notados pelos Diretores das empresas, acabamos metendo os pés pelas mãos ou querendo chamar atenção de todas as formas possíveis. Porém, mais vale um contato certeiro, que mil tentativas em vão. 

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